
Está a cair um dilúvio lá fora, o termómetro desceu abaixo de zero ou o alcatrão está tão quente que dava para fritar um ovo. Ao teu cão nada disso lhe interessa. Está plantado à porta com um brinquedo na boca, a vibrar de energia, a olhar para ti como se o tempo fosse um problema que tu te recusas a resolver. Salta esse passeio e ambos sabem como acaba a noite: chinelos roídos, um cão que não para de andar de um lado para o outro e a choramingar, e a lembrança de que um cão a quem falta exercício arranja sempre a sua própria diversão, e não vais gostar do que ele escolher.
A boa notícia é que não precisas de um dia seco e ameno, nem sequer de um quintal, para deixar o teu cão estafado. Neste guia vais ver como dar exercício ao teu cão em casa quando sair não é opção, quanto exercício ele precisa mesmo e como te manteres em movimento em segurança quando está um frio de inverno ou um calor perigoso de verão.
Quanto exercício precisa o meu cão?
Antes de falarmos do onde e do como, comecemos pelo quanto. A resposta honesta a quanto exercício precisa o meu cão é que depende de três coisas: a idade, a raça e o cão concreto que tens à tua frente. Um bulldog reformado e um border collie de dois anos têm necessidades muito diferentes, e tratá-los da mesma maneira é a forma mais certa de acabar com um cão idoso esgotado ou com um collie a destruir a casa.
Como ponto de partida orientativo para um cão adulto saudável:
| Tipo de cão | Exercício diário aproximado | Notas |
|---|---|---|
| Raças calmas ou braquicéfalas | 30-45 minutos | As raças de focinho achatado aquecem depressa; melhor algo suave |
| Cães de companhia médios | 45-90 minutos | É aqui que se enquadra a maioria dos cães de família |
| Raças ativas e de trabalho | 2 horas ou mais | Collies, spaniels, huskies, muitos terriers |
| Cachorros | Pouco e muitas vezes | Períodos curtos, sem forçar distâncias |
| Cães idosos | Sessões mais curtas e suaves | A mobilidade importa mais do que os quilómetros |
Há alguns princípios que pesam mais do que qualquer número exato. O trabalho mental também conta como exercício, e cansa um cão muito mais do que imaginas: dez minutos de farejar ou de resolver problemas podem acalmar um cão muito mais a fundo do que meia hora a dar a volta ao quarteirão. Duas sessões curtas costumam funcionar melhor do que uma longa. E o verdadeiro termómetro é o próprio cão: um cão bem exercitado deita-se e descansa descansado, enquanto um que anda de um lado para o outro, rói, ladra ou não consegue desligar está a dizer-te que precisa de mais, de corpo, de cabeça ou das duas coisas.
Os cachorros têm as suas próprias regras. Uma orientação habitual são cerca de cinco minutos de exercício formal por cada mês de idade, uma ou duas vezes por dia, por isso um cachorro de quatro meses faz uns vinte minutos de cada vez. As articulações e as placas de crescimento ainda estão moles, por isso a brincadeira livre e o farejar são muito mais seguros do que obrigá-lo a correr ou a fazer caminhadas longas. Na dúvida, deixa o cachorro marcar o seu próprio ritmo e descansar quando lhe apetecer.
Como dar exercício ao teu cão em casa
Quando o tempo fecha a porta a um passeio normal, a sala passa a ser o teu ginásio. O truque do como dar exercício ao teu cão em casa é apoiares-te tanto na cabeça do teu cão como nas patas, porque uma mente cansada compra-te a mesma noite tranquila que uns músculos cansados, e sem precisar de um descampado. Estas são as ideias que funcionam mesmo entre quatro paredes.
Jogos de faro e trabalho de olfato
O faro é a ferramenta mais poderosa de um cão, e usá-lo deixa-o genuinamente estafado, no melhor dos sentidos. Espalha um punhado de ração por uma toalha ou um tapete de farejar e deixa o teu cão procurar, esconde petiscos pela divisão e manda-o "procurar", ou coloca o brinquedo preferido atrás de um móvel e monta uma busca a sério. Dez ou quinze minutos de farejo concentrado deixam a maioria dos cães prontos para uma boa soneca, e serve para qualquer idade e condição física.
Escadas, puxa-puxa e apanhar pelo corredor
Se tens uma escada segura e um cão adulto sem problemas estruturais, umas subidas e descidas controladas dão cardio a sério num instante. Um corredor comprido transforma-se numa pista para atirar o brinquedo. E um bom puxa-puxa, jogado com regras para que o teu cão traga o brinquedo e o largue ao comando, dá um exercício físico e mental surpreendente em muito pouco espaço.
Esquece as escadas com cachorros, cães idosos e cães com qualquer problema articular ou de coluna, e com raças de dorso comprido como os dachshunds. O impacto forte e repetido sobre articulações em crescimento ou vulneráveis causa danos sem retorno. E joga ao apanhar dentro de casa sobre tapete ou alcatifa, nunca sobre piso escorregadio, onde uma travagem a derrapar pode provocar um estiramento muscular ou algo pior.
O treino como exercício
As sessões curtas de treino são uma das formas de exercício em casa mais subestimadas. Ensinar-lhe um truque novo, afinar a chamada na cozinha ou encadear sentas, deitas e fica de pé em ritmo rápido obriga o teu cão a pensar, e pensar cansa. Cinco minutos de concentração algumas vezes por dia somam um cão mais calmo, mais esperto e mais bem comportado.
Brinquedos interativos e enriquecimento caseiro
Faz com que o teu cão ganhe a comida. Recheia um brinquedo de borracha com comida húmida e congela-o, usa um comedouro lento ou interativo, ou enrola um pouco de ração dentro de uma toalha velha para ele desenrolar. Este tipo de enriquecimento transforma uma refeição de trinta segundos num projeto de vinte minutos e satisfaz aquela vontade de resolver problemas que, de outra forma, os cães aborrecidos descarregam nos teus móveis.
Circuito de obstáculos caseiro
Podes montar um mini circuito de agility de baixo impacto com coisas que já tens. Uma vassoura apoiada sobre duas caixas baixas passa a ser algo para passar por cima, um cobertor estendido sobre duas cadeiras passa a ser um túnel, e uma almofada no chão passa a ser um alvo para subir. Mantém tudo baixo e estável, premeia com generosidade e tens um jogo que dá confiança e, de caminho, movimento suave.
Como dar exercício ao teu cão no inverno
Os invernos frios, húmidos e escuros põem à prova a constância de qualquer um com o passeio diário. Mas quase todos os cães continuam a querer e a precisar de sair, e aprender como dar exercício ao teu cão no inverno passa sobretudo por ajustar, não por cancelar. Com algumas precauções de bom senso, os meses frios podem ser dos melhores para os cães ativos.
Atenção ao frio e aos perigos que não se veem
A tolerância ao frio varia imenso. Um husky ou um malamute de pelo espesso estão no seu elemento perto dos zero graus, enquanto um cão de pelo fino ou pequeno, um cachorro ou um cão idoso sentem-no logo. Fica atento aos tremores, às patas que se levantam do chão, à postura encolhida ou àquela relutância repentina em continuar a andar, e volta para casa assim que os vires.
Há dois perigos do inverno fáceis de passar ao lado:
- O anticongelante é doce, irresistível e letal em quantidades mínimas. Mantém os cães bem longe de derrames na garagem e de poças com um brilho suspeito, e liga ao veterinário de imediato se suspeitares que ele lambeu algum.
- O sal e o gravilho das estradas podem queimar as almofadas das patas e fazer mal ao estômago se forem lambidos. Lava e seca as patas do teu cão depois de um passeio por zonas com sal, e pondera um bálsamo protetor ou umas botas.
Ajusta a rotina
Nos dias mais rigorosos, encurta e aumenta a frequência: duas saídas animadas de quinze minutos costumam ganhar a uma longa e penosa. Um casaco ajuda mesmo os cães de pelo fino, pequenos, jovens e idosos a conservar o calor do corpo. Seca-o bem ao chegar, com atenção às patas e à barriga. E nos dias em que o tempo ganha mesmo, recorre aos jogos de interior lá de cima sem remorsos.
Como dar exercício ao teu cão quando está demasiado calor
O verão vira o perigo do avesso por completo. O calor mata cães todos os anos, e fá-lo depressa, por isso saber como dar exercício ao teu cão quando está demasiado calor tem menos a ver com criatividade e mais com contenção. Os cães arrefecem sobretudo a arfar, algo muito menos eficiente do que o suor humano, por isso aquecem muito mais depressa do que nós.
Escolhe bem a hora e verifica o chão
A melhor estratégia contra o calor é, de longe, a hora. Passeia ao início da manhã e ao fim da tarde, e salta por completo as horas centrais do dia durante uma onda de calor. Antes de saíres, encosta as costas da mão ao alcatrão: se não conseguires aguentar ali com conforto durante sete segundos, está demasiado quente para as patas e vai queimá-las. Vai por relva e sombra, e leva sempre água.
Aprende a reconhecer os sinais de golpe de calor e trata-os como uma urgência: arfar intenso e desesperado, baba espessa, gengivas de um vermelho vivo, cambaleios ou colapso, vómitos ou olhar vidrado. Leva o teu cão para a sombra, molha-o com água fresca (não gelada), oferece-lhe pequenos goles de água e vai ao veterinário de imediato. As raças de focinho achatado, os cães com excesso de peso, os idosos e os cachorros correm um risco especialmente alto. Nunca, em circunstância alguma, deixes um cão num carro estacionado, onde a temperatura sobe a níveis mortais em poucos minutos, mesmo com as janelas entreabertas.
Formas frescas de gastar energia
Quando está demasiado calor para passear, tens alternativas. Muitos cães adoram uma piscina insuflável ou um aspersor à sombra. Um brinquedo recheado e congelado ou uns gelados caseiros para cães dão-lhe um projeto fresco e duradouro. E, claro, todos os jogos de interior deste guia funcionam às mil maravilhas numa divisão com ar condicionado ou à sombra, que é exatamente onde tu e o teu cão deviam estar ao meio-dia em pleno julho.
De o estafar a dar-lhe uma verdadeira saída: os desportos caninos
Aqui está o padrão que, mais cedo ou mais tarde, quase todo o dono de um cão com muita energia acaba por notar. Podes atirar a bola até o braço doer e continuar com um cão que quer mais, porque o que estes cães anseiam não é só movimento, mas um trabalho, um propósito que lhes ocupe o corpo e a cabeça ao mesmo tempo. É esse o momento em que um desporto canino deixa de ser uma ideia bonita e passa a ser a peça que faltava.
Desportos como o agility, o canicross, o flyball, o trabalho de faro e o disc dog pegam nessa energia que andavas há tanto tempo a tentar gastar e canalizam-na para algo estruturado e profundamente satisfatório. Combinam esforço físico, concentração mental e o trabalho de equipa para o qual o teu cão foi feito, e conseguem aquilo que o passeio diário não consegue: dar a um cão irrequieto uma verdadeira saída e uma relação contigo que cresce pelo caminho. Muitos donos chegam estafados de lidar com um cão "a mais" e saem com um companheiro que está, por fim e feliz, cansado.
Podes ir experimentando em casa, mas a via mais rápida e segura é uma aula a sério, onde um instrutor sabe ajustar o desporto ao teu cão, manter o movimento seguro e transformar a energia em bruto em habilidade a sério.
Cansado de andar às turras com o tempo e com um cão a abarrotar de energia? Dá-lhe uma verdadeira saída. Procura e reserva uma aula de desporto canino ou de condição física para cães perto de ti no Canlyo, encontra o treinador que se ajusta à energia e à raça do teu cão e transforma essas noites de nervos num desporto que ambos vão esperar com vontade.
O tempo nunca vai colaborar por completo, e tudo bem. Um cão que recebe o exercício certo na medida certa, dentro de casa nos piores dias, bem agasalhado no inverno e fresco e seguro no verão, é um cão que se deita em vez de andar de um lado para o outro, que descansa em vez de roer e que recebe a manhã chuvosa seguinte calmo em vez de a subir pelas paredes. Prepara um plano para cada tipo de dia, apoia-te tanto no faro e na cabeça do teu cão como nas patas, e raramente voltarás a perder uma noite por causa da previsão do tempo.





