
Adotar um cão é uma das coisas mais gratificantes que podes fazer e, ao mesmo tempo, uma das mais mal compreendidas. As pessoas esperam muitas vezes um cão agradecido que se ambienta de um dia para o outro e depois ficam preocupadas quando lhes calha um cão nervoso, fechado sobre si mesmo ou completamente passado. A verdade é mais simples e mais bondosa: o teu cão não está a portar-se mal, está a adaptar-se. Aprender a treinar um cão adotado passa sobretudo por adaptares o teu método ao cão que tens à frente, em vez de o obrigares a encaixar num plano padrão.
O teu cão adotado não está estragado
Seja qual for a história dele, o teu cão chegou com hábitos que faziam sentido noutro sítio. Um cão que vasculha a bancada da cozinha, dispara assim que se abre uma porta ou ignora o próprio nome não é teimoso, simplesmente nunca aprendeu as regras da tua casa. Larga a ideia de "consertar" e troca-a pela de "ensinar". Essa mudança de mentalidade baixa a tua frustração e o stress do cão, que é exatamente o clima de que a aprendizagem precisa.
Começa pelo período de descompressão
Antes de qualquer treino a sério, dá ao teu cão tempo para, simplesmente, existir e sentir-se seguro. Um guia muito conhecido é a regra dos 3-3-3: cerca de três dias para se sentir sobrecarregado e cauteloso, três semanas para começar a entrar numa rotina e três meses para se sentir verdadeiramente em casa. Os prazos variam de cão para cão, mas o princípio mantém-se.
- Mantém o mundo pequeno ao início: uma casa calma, uma rotina previsível, passeios curtos e sem pressão.
- Resiste à tentação de lhe apresentares todos os amigos, todos os cães e todos os programas logo na primeira semana.
- Deixa o teu cão escolher aproximar-se de ti, em vez de o sufocares.
A descompressão não é tempo perdido, é a base de tudo. Um cão que se sente seguro aprende mais depressa e generaliza melhor do que um cão atirado para as lições à pressa, antes sequer de conseguir pensar com clareza.
Constrói a confiança antes da obediência
Ao início, o teu verdadeiro programa é a relação. Dá-lhe as refeições à mão ou espalha a comida pelo chão, para que as coisas boas venham de ti. Recompensa qualquer momento de calma em que ele te procure ou te olhe nos olhos. Faz sessões muito curtas e termina sempre com um acerto. Por baixo de tudo o resto, estás a ensinar uma única lição: que és seguro, previsível e que vale a pena prestar-te atenção. Os comandos formais, como o senta e o chamamento, saem muito mais facilmente quando essa convicção já está assente.
Nunca é tarde de mais: treinar um cão mais velho
Aquela história de que cão velho não aprende novas habilidades é um mito. O treino de obediência de um cão mais velho funciona tão bem como com um cachorro, por vezes até melhor, porque os cães adultos costumam concentrar-se durante mais tempo e têm menos picos de energia descontrolada. Ajusta-te ao corpo, não ao cérebro: sessões mais curtas se a resistência física for pouca, piso macio para articulações doridas e uma ida rápida ao veterinário se notares rigidez. Usa os mesmos métodos com base em recompensas que usarias com qualquer cão.
Como treinar um cão surdo
Um cão surdo aprende da mesma forma que um cão que ouve, só tens de trocar os sinais sonoros por sinais visuais. Saber como treinar um cão surdo resume-se a alguns ajustes:
- Usa sinais claros com as mãos como comandos e mantém-nos iguais em toda a família.
- Substitui o clicker ou a palavra marcadora por um marcador visual, como um polegar para cima rápido ou o clarão de uma pequena lanterna, sempre acompanhado de um petisco.
- Trabalha um chamamento à prova de bala. Recompensa com generosidade que ele se vire para te olhar, já que não o podes chamar pelo nome.
- Capta a atenção dele com suavidade com uma leve batida do pé no chão (a vibração) ou um aceno dentro do campo de visão, nunca o sobressaltando enquanto dorme.
Os cães surdos costumam ser maravilhosamente atentos precisamente porque aprendem a estar de olho em ti.
Cães pequenos e outros casos especiais
Os cães muito pequenos são, por vezes, menos "treinados", porque os donos simplesmente os pegam ao colo em vez de lhes ensinarem as coisas. Merecem as mesmas regras claras que qualquer outro cão. O fio condutor de todos os casos especiais, seja um cão adotado, mais velho, surdo ou pequeno, é sempre o mesmo: vai ter com o cão onde ele está, baixa a pressão e recompensa o comportamento que queres.
Se o teu cão mostrar medo profundo, ficar paralisado ou revelar qualquer tipo de agressividade, sobretudo à volta da comida, do manuseamento ou de estranhos, recorre a um treinador qualificado em métodos sem coerção ou a um veterinário comportamentalista. Com um cão adotado e medroso, um mau conselho à base de mão pesada pode fazer-te recuar meses.
Não tens de fazer isto sozinho
Uma boa aula dá a um cão adotado algo difícil de recriar em casa: uma exposição calma e controlada a outros cães e pessoas, com um instrutor atento a tudo o que se passa. Procura aulas com base em reforço positivo, sem coerção, que acolham os cães nervosos e os deixem trabalhar à distância.
No Canlyo, podes encontrar e reservar uma aula em reforço positivo, ideal para iniciantes e com um treinador qualificado perto de ti, e dar ao teu cão adotado um recomeço cheio de confiança.
Adotar um cão é uma forma de amor que se constrói devagar. Dá-lhe tempo para descomprimir, ganha a confiança dele antes da obediência e adapta os teus métodos ao corpo e aos sentidos dele, e vais ver um recém-chegado desconfiado transformar-se num companheiro tranquilo e disponível, que é, sem qualquer dúvida, teu.





